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Publicado em 8 de agosto de 2019

Um dos primeiros blocos afros fundados no Rio de Janeiro foi o Filhos de Gandhi do Rio de Janeiro. Fundado em 1951, pouco se tem notícias sobre seus fundadores. Sabe-se, porém, que o fato se deu por iniciativa de trabalhadores da zona do Cais do Porto do Rio de Janeiro, moradores dos bairros, principalmente, Saúde e Gamboa, influenciados e sob orientação de alguns integrantes do Ijexá Filhos de Gandhi, fundado em Salvador em 18 de fevereiro de 1949. No ano de 1975 o bloco desfilou trazendo em seu estandarte a figura de um camelo. Em 20 de setembro do mesmo ano foi realizado na sede do bloco, na época na Rua Coronel Audemário Costa, 58, na Central do Brasil, a gravação de um compacto no qual constaram seis faixas interpretadas pelo solista Aurelino Gervásio da Encarnação e o grupo: "Cantiga de Exu", "Cantiga de Ossãe", "Cantiga de Omulu", "Afoxé", "Cantiga de Oxalá" e "Hino do Afoxé Filhos de Gandhi". O disco foi produzido e lançado pelo Ministério da Educação e Cultura - Departamento de Assuntos Culturais - Fundação Nacional de Arte - FUNARTE - Campanha de Defesa do Folclore Brasileiro. O segundo bloco a ser fundado foi o Afoxé Terê Babá. Entre seus fundadores estão Chicão e o músico Dom Filó. O bloco ensaiava no Largo das Neves, em Santa Tereza, bairro do centro do Rio de Janeiro e desfilava na Avenida Rio Branco. Suas atividades foram encerradas ainda na década de 1980.

No Morro da Mangueira, em 1980, foi fundado o bloco Dudu Éwe. Este bloco, juntamente com outros três (Agbara Dudu, Òrúnmilá e Lemi Ayó) participou da coletânea "Terreiros e quilombos", gravada e lançada pelo CEAP (Centro de Articulação de Populações Marginalizadas). Neste LP foi incluída a faixa "Mensagem" de autoria de Raymundo Santa Rosa, um dos idealizadores do disco e diretor de estúdio. Em 4 de abril de 1982, em Madureira, subúrbio do Rio de Janeiro foi fundado o Grupo Afro Agbara Dudu. Entre seus fundadores, diretores e colaboradores diretos estão Reginaldo da Portela, Vera Agbara, Zezé Guimarães, Hélio de Assis, Mestre Corvo, Jetinha e Vovô (Ilê Aiyê), Darcy do Jongo da Serrinha, Carlinhos Maracanã, Tia Tereza, Tio Rezende, Mãe Hilda e alguns integrantes das velhas-guardas das escolas de samba Portela e Império Serrano, entre outros. Tendo como padrinho o bloco baiano Ilê Aiyê (fundado em Salvador em novembro de 1974), o Agbara Dudu se diferenciava de outros blocos afros na questão de mantenedor da cultura afro, mesmo fora do período de carnaval, desenvolvendo trabalhos comunitários (simpósios, palestras, festivais, shows beneficentes, debates, seminários, cursos, oficinas etc), assim como alguns blocos baianos o fazem, entre eles: Olodum (fundado em 25 de abril de 1979), Araketu (fundado em 8 de março de 1980) e Ilê Aiyê. Sua bandeira traz as cores amarela, vermelha, preta e verde, as mesmas cores da bandeira da unidade africana (sonho de reunir a diáspora africana em uma só nação). Seu primeiro desfile, na Avenida Rio Branco, foi com o tema "Amor e negritude", seguido por outros temas como: "Cem anos de abolição", "O negro clama por justiça" e "Yabás - mulher brasileira". Em 1992 o grupo participou da coletânea "Terreiros e quilombos", produzida pelo CEAP (Centro de Articulação de populações Marginalizadas), que reuniu outros três blocos: Òrúnmilá, Lemi Ayó e Dudu Éwe. Neste LP foram incluídas as músicas "Mulher negra Yabá" (Alcinéia F. Martins e Gabriel Lopes Neto), "Nação vertente" (Walmir Aragão e Alcinéia F. Martins), "Negritude consciência" e "Arerê", ambas de autoria de Júlio Mendes. Em 1996, em parceria e com o apoio da UERJ, o grupo mudou-se para a nova sede na Rua Carolina Machado, 467, em Madureira, dando prosseguimento às suas atividades. No ano de 2002 o grupo desfilou na Avenida Rio Branco com o tema "Agbara-Dudu - 20 anos de resistência". No Morro da Mineira, no bairro do Catumbi, foi fundado o bloco afro Òrúnmilá. Este bloco participou do disco "Terreiros e quilombos", no qual foram incluídas três composições: "Deusa Òrúnmilá" (Carlinhos e Edson Xuxu), "Extermínio não" e "Reggae do arrocho", ambas, autoria de Ailton Brazaville. Em São Cristóvão, subúrbio do Rio de Janeiro foi fundado o bloco afro Lemi Ayó. Sobre este bloco sabe-se que participou do disco "Terreiros e quilombos" com três faixa: "Canto do negão" e "Trem da memória", ambas de autoria de Marcos Martins e ainda "Somar e lutar" de Walmir Aragão. Outros blocos do Rio de Janeiro são Dudu Odara e Bloco Afro Alafim, fundado por Sebastião, dos quais se têm poucos dados.

 

BIBLIOGRAFIA CRÍTICA:

ALBIN, Ricardo Cravo. Dicionário Houaiss Ilustrado Música Popular Brasileira - Criação e Supervisão Geral Ricardo Cravo Albin. Edição: Instituto Antônio Houaiss, Instituto Cultural Cravo Albin e Editora Paracatu, 2006, RJ.

AMARAL, Euclides. Alguns Aspectos da MPB. Rio de Janeiro: Edição do Autor, 2008

FONTE: Dicionário Cravo Albin da MPB


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